Quando me pediram para que eu escrevesse para esse site não me sugeriram nenhum tema, então resolvi escrever sobre um que está presente em nosso dia-a-dia e muitas vezes não estamos nem ciente com o que acontece ao nosso redor.
Entrevistei um garoto de 17 anos, cujo nome verdadeiro o mesmo não quis revelar, durante a entrevista usaremos um codi nome. A história de Gabriel está presente no nosso citidano e muitas vezes não percebemos o que está passando na vida de familiares, amigos e entes próximos.
Tyago Rodrigues (TR): " Por quê não revelar seu nome?"
Harley: "Porque tenho medo de parentes e amigos próximos descobrirem o que já passei em tão pouco tempo de vida."
TR: "Você se incomoda de relembrar e contar devidos fatos ocorridos com você? Se incomoda de contar-nos?"
Harley: [pausa e respiração funda] "Não me incomodo não, até porque acredito que seja uma fase da minha vida que eu consegui vencê-la -de certa forma-. Bem, não me incomodo não, como já disse é uma fase que eu acredito já ter vencido e não vejo problema em relembrar."
TR: "Como foi que ocorreu o primeiro abuso sexual com você? Você tinha que idade? Você se lembra quem foi?"
Harley:" Eu era muito pequeno quando isso aconteceu, tinha cerca de 6 para 7 anos. Eu me lembro sim foi um vizinho que morava ao lado de uma casa que eu morei. Certo dia estava eu em cima do muro da minha casa -sabe como é criança né? Toda malina e espivitada, quer estar em cima de tudo quando é coisa achando que pode voar; risos- e esses vizinhos que moravam ao lado de minha casa não gostava da minha família, um rapaz de mais ou menos 17/18 anos estava na área dos fundos da casa dele e eu em cima do muro, então ele me chamou, pedindo ajuda, dizendo que estava preso em casa. E eu fui, ao chegar lá ele abriu o portão da área de serviço, me puxou me segurou de uma forma que tampasse a minha boca e disse "Não grita e nem fala nada pra ninguém, se não você vai ver o que eu vou fazer com você." E eu fui trêmulo, com medo e ele abaixou a minha roupa e abusou de mim."
TR:" E o que você fez em seguida? Não comunicou aos seus pais?"
Harley:" Eu fui pra casa e fiz de conta de que nada tinha acontecido comigo. Não cheguei a falar para meus pais, também não me lembro de contar isso para nenhum amigo ou pessoa próxima."
TR:" E você chegou a vê-lo novamente? Como foi sua reação?"
Harley:"Cheguei sim, minha reação foi simplesmente agir como se eu não o conhecesse."
TR:" Isso chegou a ocorrer mais de uma vez?"
Harley:" Com ele sim, e com mais dois outras pessoas também."
TR:" Com esse primeiro rapaz, ele abusou de você quantas vezes? O que você sentia?"
Harley:" Foi duas vezes, sempre eu caia na lábia dele, não sabia se era verdade o que ele estava falando, e eu sempre ia até ele no intuito de ajudar. -O que um menino de 6 anos iria sentir?- Eu a pricípio sentia nojo e medo dele."
TR:" Você disse que houve mais duas outras pessoas que abusaram de você quando pequeno, foi nessa mesma época?"
Harley:" Um sim, o outro eu era um pouquinho mais velho."
TR:" Esse segundo rapaz que abusou de você nessa mesma época, qual era o nome dele? Você sabe dizer por volta de que idade ele tinha?"
Harley:" Prefiro não citar nomes por questão de ética e eu saber que são pessoas conhecidas às próximas a mim, mas vamos chamá-lo de Renato. Eu tinha a mesma idade e ele por volta 15 anos."
TR:"Ele era próximo a esse rapaz que abusou de você a primeira vez? Era próximo a você?"
Harley:" Na época era próximo ao rapaz sim e ele sempre foi próximo a mim, pelo fato do Renato ser parente meu."
TR:" Conte-nos como foi."
Harley:" O Renato estava passando uns dias na minha casa porque os pais dele tinham viajado e ele estava dormindo no mesmo quarto que eu. 'Numa' noite ele me puxou da minha cama, me fez fazer sexo oral nele e depois abusou de mim."
TR:" Você ainda tem contato com ele? E esse terceiro rapaz? Também era próximo a você?"
Haraley:" Vamos por parte, sim eu tenho contato sim, mas pouco. Esse terceiro rapaz também é um parente meu, prefiro não revelar o grau de parentesco deles comigo, acho que as pessoas se assustariam."
TR:" Para não ficar repetitivo as perguntas, dê-nos o perfil dele e conte-nos como foi."
Harley:" Esse terceiro rapaz Otávio, -não é o nome dele- eu já era maior e ele bem mais velho que eu. Eu tinha 11 anos, e ele aprentava ter 31. Eu havia pedido alguns DVD's emprestado para ele porque meus pais estavam viajando e eu como estava sozinho com minha irmã queria ver alguns filmes em casa durante a noite. Então ele me chamou para entrar, chegando lá ele sentou no sofá e me chamou 'pra' sentar ao lado dele, e ficou falando um monte de baboseiras, e foi passando a mão em mim, colocando minha mão nas partes íntimas dele... e o resto eu não preciso nem dizer."
TR:" Você não chegou a contar nenhum desses fatos aos seus pais? O que se passava pela sua cabeça?"
Harley:" Eu nunca contei pelo fato de todos eles me ameaçarem, e eu tinha e tenho medo de que meus pais saibam sobre o que aconteceu, quem eram as pessoas e eu tenho certeza que ocorreria uma grande desgraça em toda minha família."
TR:" Você em algum momento chegou a entender o que estava acontecendo? Eu ouso e te pergunto, em algum momento você gostou do que aconteceu com você?"
Harley:" Entender eu entendia e ao mesmo tempo não. Dizer que eu gostei seria tanto quanto mentira e imaturidade. Porque acredito que criança alguma gostaria de passar por essas coisas, criança alguma gosta de sexo, ainda mais sem entender o que passa com o mais velho."
TR:" Que mensagem você quer deixar para nosso leitor?"
Harley:" Cuide de seus filhos, atenção nunca é demais. Pais estejam sempre presentes e conversem sobre tudo com seus filhos, pois às vezes isso pode estar acontecendo dentro de sua casa e você não sabe."
Tyago Rodrigues: Resolvi não detalhar, nem colocar mais casos que ocorreu com esse rapaz para não ficar cansativo para você leitor, mas digo desde já que é uma história muito interessante. Quem sabe não mando uma segunda parte desse depoimento para vocês?!
Então a mensagem está passada, cuidem de nossas crianças para que não aconteça com um seu o que aconteceu com um próximo meu.
Tyago Rodrigues