quarta-feira, 15 de junho de 2011

Abuso sexual de Menores de Idade

Quando me pediram para que eu escrevesse para esse site não me sugeriram nenhum tema, então resolvi escrever sobre um que está presente em nosso dia-a-dia e muitas vezes não estamos nem ciente com o que acontece ao nosso redor.
Entrevistei um garoto de 17 anos, cujo nome verdadeiro o mesmo não quis revelar, durante a entrevista usaremos um codi nome. A história de Gabriel está presente no nosso citidano e muitas vezes não percebemos o que está passando na vida de familiares, amigos e entes próximos.
Tyago Rodrigues (TR): " Por quê não revelar seu nome?"
Harley: "Porque tenho medo de parentes e amigos próximos descobrirem o que já passei em tão pouco tempo de vida."
TR: "Você se incomoda de relembrar e contar devidos fatos ocorridos com você? Se incomoda de contar-nos?"
Harley: [pausa e respiração funda] "Não me incomodo não, até porque acredito que seja uma fase da minha vida que eu consegui vencê-la -de certa forma-. Bem, não me incomodo não, como já disse é uma fase que eu acredito já ter vencido e não vejo problema em relembrar."
TR: "Como foi que ocorreu o primeiro abuso sexual com você? Você tinha que idade? Você se lembra quem foi?"
Harley:" Eu era muito pequeno quando isso aconteceu, tinha cerca de 6 para 7 anos. Eu me lembro sim foi um vizinho que morava ao lado de uma casa que eu morei. Certo dia estava eu em cima do muro da minha casa -sabe como é criança né? Toda malina e espivitada, quer estar em cima de tudo quando é coisa achando que pode voar; risos- e esses vizinhos que moravam ao lado de minha casa não gostava da minha família, um rapaz de mais ou menos 17/18 anos estava na área dos fundos da casa dele e eu em cima do muro, então ele me chamou, pedindo ajuda, dizendo que estava preso em casa. E eu fui, ao chegar lá ele abriu o portão da área de serviço, me puxou me segurou de uma forma que tampasse a minha boca e disse "Não grita e nem fala nada pra ninguém, se não você vai ver o que eu vou fazer com você." E eu fui trêmulo, com medo e ele abaixou a minha roupa e abusou de mim."
TR:" E o que você fez em seguida? Não comunicou aos seus pais?"
Harley:" Eu fui pra casa e fiz de conta de que nada tinha acontecido comigo. Não cheguei a falar para meus pais, também não me lembro de contar isso para nenhum amigo ou pessoa próxima."
TR:" E você chegou a vê-lo novamente? Como foi sua reação?"
Harley:"Cheguei sim, minha reação foi simplesmente agir como se eu não o conhecesse."
TR:" Isso chegou a ocorrer mais de uma vez?"
Harley:" Com ele sim, e com mais dois outras pessoas também."
TR:" Com esse primeiro rapaz, ele abusou de você quantas vezes? O que você sentia?"
Harley:" Foi duas vezes, sempre eu caia na lábia dele, não sabia se era verdade o que ele estava falando, e eu sempre ia até ele no intuito de ajudar. -O que um menino de 6 anos iria sentir?- Eu a pricípio sentia nojo e medo dele."
TR:" Você disse que houve mais duas outras pessoas que abusaram de você quando pequeno, foi nessa mesma época?"
Harley:" Um sim, o outro eu era um pouquinho mais velho."
TR:" Esse segundo rapaz que abusou de você nessa mesma época, qual era o nome dele? Você sabe dizer por volta de que idade ele tinha?"
Harley:" Prefiro não citar nomes por questão de ética e eu saber que são pessoas conhecidas às próximas a mim, mas vamos chamá-lo de Renato. Eu tinha a mesma idade e ele por volta 15 anos."
TR:"Ele era próximo a esse rapaz que abusou de você a primeira vez? Era próximo a você?"
Harley:" Na época era próximo ao rapaz sim e ele sempre foi próximo a mim, pelo fato do Renato ser parente meu."
TR:" Conte-nos como foi."
Harley:" O Renato estava passando uns dias na minha casa porque os pais dele tinham viajado e ele estava dormindo no mesmo quarto que eu. 'Numa' noite ele me puxou da minha cama, me fez fazer sexo oral nele e depois abusou de mim."
TR:" Você ainda tem contato com ele? E esse terceiro rapaz? Também era próximo a você?"
Haraley:" Vamos por parte, sim eu tenho contato sim, mas pouco. Esse terceiro rapaz também é um parente meu, prefiro não revelar o grau de parentesco deles comigo, acho que as pessoas se assustariam."
TR:" Para não ficar repetitivo as perguntas, dê-nos o perfil dele e conte-nos como foi."
Harley:" Esse terceiro rapaz Otávio, -não é o nome dele- eu já era maior e ele bem mais velho que eu. Eu tinha 11 anos, e ele aprentava ter 31. Eu havia pedido alguns DVD's emprestado para ele porque meus pais estavam viajando e eu como estava sozinho com minha irmã queria ver alguns filmes em casa durante a noite. Então ele me chamou para entrar, chegando lá ele sentou no sofá e me chamou 'pra' sentar ao lado dele, e ficou falando um monte de baboseiras, e foi passando a mão em mim, colocando minha mão nas partes íntimas dele... e o resto eu não preciso nem dizer."
TR:" Você não chegou a contar nenhum desses fatos aos seus pais? O que se passava pela sua cabeça?"
Harley:" Eu nunca contei pelo fato de todos eles me ameaçarem, e eu tinha e tenho medo de que meus pais saibam sobre o que aconteceu, quem eram as pessoas e eu tenho certeza que ocorreria uma grande desgraça em toda minha família."
TR:" Você em algum momento chegou a entender o que estava acontecendo? Eu ouso e te pergunto, em algum momento você gostou do que aconteceu com você?"
Harley:" Entender eu entendia e ao mesmo tempo não. Dizer que eu gostei seria tanto quanto mentira e imaturidade. Porque acredito que criança alguma gostaria de passar por essas coisas, criança alguma gosta de sexo, ainda mais sem entender o que passa com o mais velho."
TR:" Que mensagem você quer deixar para nosso leitor?"
Harley:" Cuide de seus filhos, atenção nunca é demais. Pais estejam sempre presentes e conversem sobre tudo com seus filhos, pois às vezes isso pode estar acontecendo dentro de sua casa e você não sabe."
Tyago Rodrigues: Resolvi não detalhar, nem colocar mais casos que ocorreu com esse rapaz para não ficar cansativo para você leitor, mas digo desde já que é uma história muito interessante. Quem sabe não mando uma segunda parte desse depoimento para vocês?!
Então a mensagem está passada, cuidem de nossas crianças para que não aconteça com um seu o que aconteceu com um próximo meu.

Tyago Rodrigues